Ticket médio por membro: como aumentar
Ticket médio é o indicador que revela a qualidade do crescimento. Base crescendo com ticket caindo significa que você está trocando cliente bom por cliente barato, e esse é o caminho silencioso para operar cheio e ganhar pouco.
As duas medidas
ticket recorrente = receita recorrente mensal / membros ativos
ticket total = receita total / membros ativos
A diferença entre os dois é quanto a sua operação consegue monetizar além do plano: sala, consumo, serviços. É aí que mora boa parte da margem.
| Indicador | Espaço A | Espaço B |
|---|---|---|
| Ticket recorrente | R$ 520 | R$ 520 |
| Ticket total | R$ 560 | R$ 690 |
| Diferença | 8% | 33% |
Os dois vendem o mesmo plano. O espaço B monetiza quatro vezes mais além dele. Com a mesma base e a mesma estrutura, B fatura 23% a mais.
Se a sua diferença está abaixo de 15%, existe receita na mesa.
Acompanhe a série, não o número
O valor absoluto do ticket não diz nada fora do seu contexto de cidade e padrão. O que diz é a direção nos últimos seis meses.
Ticket caindo tem três causas possíveis, e é importante saber qual é a sua:
Mix mudou. Você vendeu mais planos baratos. Não é necessariamente ruim, se o volume compensar e a capacidade comportar.
Desconto se espalhou. Cada negociação individual foi razoável, o agregado virou tabela nova. É o mais comum e o mais perigoso.
Os clientes grandes saíram. Confira contra o churn de receita, em churn em coworking.
As sete alavancas
Ordenadas da menor para a maior fricção com o cliente.
1. Cobrar os extras que já acontecem. Impressão, hora excedente, coffee break. De 3% a 8% da receita, com margem quase total, e nenhum cliente novo necessário. Ver como cobrar equipamento extra.
2. Vender pacote de horas a quem já compra avulso. Cliente que fez três reservas no mês é candidato natural. Ver pacote de horas.
3. Escalonar os planos com créditos de sala. Créditos custam pouco e criam degraus visíveis entre planos, o que motiva upgrade. Ver créditos de sala inclusos no plano.
4. Empacotar serviços agregados. Locker, endereço fiscal, estacionamento, impressão. Ver como empacotar serviços em planos.
5. Upsell de posto. Compartilhada para fixa, fixa para privativa. É o de maior impacto unitário, e o gatilho é uso: quem vem cinco dias por semana numa compartilhada quer uma fixa. Ver upsell: da estação para a sala privativa.
6. Preço por faixa de horário na sala. Ver preço dinâmico para horário de pico.
7. Reajuste anual. A alavanca de maior impacto e maior atrito. Só funciona bem se for previsível e bem comunicado, como em como reajustar preço de sala.
Repare que as cinco primeiras não aumentam o preço de nada. Elas aumentam o que cada cliente compra, o que é muito mais fácil de vender.
O gatilho de upsell que funciona
Não ofereça upgrade por campanha. Ofereça por comportamento:
| Sinal | Oferta |
|---|---|
| Vem 5 dias por semana em plano flex | Estação fixa |
| Estourou créditos de sala 2 meses seguidos | Plano superior, ou pacote |
| Trouxe um segundo colaborador | Sala privativa |
| Pede endereço fiscal | Escritório virtual como adicional |
| Imprime muito | Pacote de impressão |
Oferta ligada a comportamento observado converte muito mais e não parece venda, parece atendimento.
O que não fazer
Aumentar ticket cortando o que está incluso. Passar a cobrar café e wi-fi de visitante rende centavos e comunica mesquinhez. O cliente percebe o corte e não percebe a economia.
Criar planos demais. Acima de quatro opções o cliente trava e escolhe o mais barato por segurança.
Perseguir ticket com ocupação baixa. Com espaço vazio, volume vale mais que ticket. Ticket é otimização de quem já tem ocupação saudável, acima de 65%.
O ticket alimenta diretamente o LTV, e a relação entre os dois é o que determina quanto você pode gastar para trazer um cliente novo. Ver LTV do membro de coworking.